Estou com vontade de ouvir músicas tristes, viajar para a mongólia, beber Dolly para o resto da vida. Vou virar escritora, trabalhar de coveira, fazer bicos como operária, e morrer como heroína. Vou pensar em voar, tentar me apaixonar, quero errar mais, entender as pessoas. Vou pintar o cabelo de castanho caju, vou fazer poemas na aula de artes. Vou deixar de rir das suas piadas. Vou expulsar todas as borboletas do meu estômago. Fugirei da morte, virarei judía, rezarei mais, pedirei proteção aos amados. Criarei ilusões até o fim, até que esse jogo chamado vida acabe. Saberei que é a hora. Já me arrependo de tantas besteiras. Vou parar de me importar com esses probleminhas de 9ºano. Farei uma página na internet, vou dançar no faustão, darei BOA NOITE no jornal nacional. Vou me tornar milhonária de sentimentos, viverei minha rotina. Vou fazer uma lista de amigos. Todos eles vão na minha casa daqui alguns anos. Vou deixar meus primos em paz, mas eles sabem que eu os amo. Serei mais sensata e terei conversas mais madura. Vou rir, dar conselhos. Vou fazer plásticas e ficar com a cara toda esticada, vou ver o pôr do sol todos os dias. Vou ficar aqui, paz e amor, na minha, quem quiser que viva seus sonhos, porque a realidade tá foda. O MUNDO PODE MUDAR NUM PISCAR DE OLHOS.
Maria Eduarda Alvarenga
(Source: tomuitochapado, via cartas-de-suicidas)


